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Por que os clubes brasileiros contratam tão mal jogadores sul-americanos?

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Dybala
Logo após a expressiva vitória da Juventus sobre o Barcelona por 3×0 com dois gols do atacante argentino Dybala, o jornalista Mauro Cezar Pereira fez uma crítica aos clubes brasileiros durante o programa Bate Bola na ESPN Brasil, pelo fato de não conseguirem prospectar bons jogadores sul-americanos.

Ele lembrou que em 2012 a ESPN Brasil transmitiu a segunda divisão do Campeonato Argentino e Dybala, na época com 18 anos jogando pelo Instituto de Córdoba, já demonstrava potencial para se tornar um grande jogador. O próprio Mauro Cezar na época fez um post dedicado ao jogador em seu blog no site da emissora. Dybala nunca foi especulado pelos clubes brasileiros e acabou contratado pelo modesto Palermo da Itália, pela nada modesta cifra de quase 12 milhões de euros. Como os olheiros europeus encontram jogadores sul-americanos nas divisões inferiores e os brasileiros não?

Por esse valor a vinda Dybala para o Brasil seria impossível, mas o alvo da crítica é o total desconhecimento acerca de um jogador que se destacou em um torneio televisionado no país. Ora, quantas vezes especularam a vinda de Riquelme, por exemplo? Mais recentemente Drogba, Schweinsteiger e Podolski. Não se trata apenas da dificuldade da negociação, é ignorância também.

LUIS SUÁREZ FOI VETADO PELOS OLHEIROS DO FLAMENGO

Mas tem um caso que, na minha opinião, é ainda mais assustador. O veto de Andrade à contratação de Luis Suárez pelo Flamengo em 2006, quando ele tinha 19 anos. Andrade mais um olheiro foram assistir a duas partidas do Nacional em um torneio no Uruguai. Concluíram que era preferível apostar em Fabiano Oliveira, promessa da base do Flamengo, hoje com 30 anos, jogador da Portuguesa da Ilha (RJ).

Onze anos depois, esse ainda é um método muito utilizado para decidir a contratação de um jogador: a observação de uma pequena amostra. Um craque pode fazer dois jogos ruins em sequência, assim como um bisonho dois jogos iluminados.

Atualmente a observação in loco, embora fundamental, não pode ser a única fonte para avaliação de um jogador. Dispositivos registram uma quantidade cada vez maior de partidas e alimentam banco de dados com imagens e estatísticas de praticamente qualquer jogador do planeta. Além de uma boa rede de scouting (para ver além dos números), é preciso investir em aquisição dos dados e em profissionais qualificados para transformar dados em informação útil para tomada de decisão.

É bem verdade que mesmo os softwares mais completos ainda deixam a desejar nas competições da América do Sul e Estaduais de menor expressão. Mas houve avanço e quando os clubes derem a devida importância, a lei da oferta e demanda se encarregará do resto.

A PROPORÇÃO DE JOGADORES SUL-AMERICANOS QUE SE DESTACAM NO BRASIL AINDA É BAIXA

Entre os 63 jogadores sul-americanos no Brasileirão 2016, mais da metade não completaram nem 9 partidas. Uma simples estatística (minutos jogados) revela como a maioria deles tiveram pouca relevância para seus times.

A baixa utilização desses jogadores levanta algumas questões:

  • Esses jogadores eram realmente o que havia de melhor para importar, dentro da realidade financeira de quem os contratou?
  • Quantos desses jogadores vieram indicados para efetivamente suprir uma necessidade do time? Ou seja, foram contratações resultantes de análise e observação entre comissão técnica e dirigentes.
  • Quantos jogadores da base deixaram de ser desenvolvidos para dar mais minutos aos gringos, numa tentativa de justificar o investimentos?
  • Na mesma linha de pensamento, quantos desses jogadores sul-americanos não foram mais utilizados por algum tipo de protecionismo do elenco ou treinador?

Veja casos como o do colombiano Gustavo Cuéllar no Flamengo. Contratado por US$ 1,8 milhão, reserva pouco utilizado, diminuindo as chances do jovem Ronaldo ganhar experiência nos profissionais. Baseado em quê Comissão Técnica e Diretoria concluíram que Cuéllar era o nome certo pelo preço certo?

Minutos Jogados no Brasileirão 2016
FONTE: WhoScored

Alguma coisa vai mal na maneira como prospectamos e utilizamos jogadores sul-americanos. Preocupante ver times como Palmeiras e Flamengo intensificando investimentos nesse mercado sem mostrar nenhum aprendizado com os (muitos) erros do passado. Vamos aguardar para ver onde isso vai dar.

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